Deu na Agência Câmara

Segundo Ivan Valente, o PSOL foi o partido que mais perdeu com a chegada do PSD

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio Mello negou liminar, hoje (08), ao mandado de segurança proposto pelo PSOL para tentar suspender a criação da estrutura funcional à liderança do PSD na Câmara dos Deputados. Em dezembro de 2011, um ato da Mesa Diretora da Casa criou a estrutura (temporária) do PSD, com dez funções comissionadas e 56 cargos de natureza especial (CNEs). Para o presidente do PSOL, deputado Ivan Valente (SP), o entendimento do ministro é incorreto porque a criação dos cargos foi baseada em interesse político. Valente também reclamou que o seu partido foi o único a perder cargos na estrutura da Casa foi o Psol: de 17 passou para 8.

“Os partidos que perderam deputados para o PSD é que deveriam arcar com as consequências, porque eles ficaram menores”, disse. “Ou a Mesa decide que só na próxima legislatura  se fará o ajuste, ou então ela faz o ajuste em cima do que existe realmente; mas para agradar um futuro aliado, o PSD, a Mesa e a presidência perseguem os partidos pequenos, programados, ideológicos, caso do Psol, e estende o tapete vermelho aos que podem ser aliados dos governistas. É uma injustiça o ministro Marco Aurélio não ter percebido isso”, acrescentou Valente.

Equilíbrio
Já o presidente da Câmara, Marco Maia, considerou a rejeição da liminar equilibrada. “Esta decisão é da Câmara dos Deputados, e foi discutida, debatida e legitimamente votada pelo Plenário. Então, não caberia, a meu ver, nenhuma opinião, nenhum posicionamento diferente do STF em relação a esse tema”, avaliou.

Na ação, o Psol sustenta que a criação da estrutura do PSD é contrária à Constituição, que exige autorização específica na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para a abertura de cargos públicos. O partido argumenta que a LDO de 2012 limitou a possibilidade de criação de cargos às propostas apresentadas até agosto de 2011, e que o projeto da resolução da Mesa Diretora é de dezembro do mesmo ano.

No entanto, o ministro Marco Aurélio considerou que a medida presumivelmente foi formalizada em harmonia com a ordem jurídico-constitucional. Ele também solicitou informações à Câmara. Ainda não há data prevista para o julgamento do mérito do mandado de segurança. (Com informações da Agência Câmara e reportagem de Idhelene Macedo/Rádio Câmara)

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