As denuncias de fraudes nos ministérios alimentam a corrupção instalada no país (Imagem: Fausto)

Mais uma semana de escândalos marcou o já conturbado governo de Dilma Rousseff. Com o pedido de demissão do ministro da Agricultura, Wagner Rossi, alegando ter sido por questões pessoais, o PMDB agiu rápido e em pouco tempo indicou Mendes Ribeiro (também peemedebista) para o cargo. O novo ministro assumiu afirmando que não irá promover nenhuma “faxina” no Ministério e que investigação é coisa da Polícia Federal.

Por outro lado, o ex-ministro Wagner Rossi (PMDB-RS), com o pedido de demissão, demonstrou que não estava tão seguro de sua inocência sobre os escândalos que envolveram o Ministério da Agricultura, quando admitiu ter viajado de carona, por várias vezes, em uma aeronave pertencente a uma empresa de agronegócio que tinha contrato com o Ministério para e distribuir fabricar vacinas para animais. Em uma das últimas entrevistas sobre as fraudes encontradas na Conab, o ex-ministro afirmou que estava “firme como uma rocha no cargo”. Mas, parece que a rocha desmoronou…

As denúncias no Ministério da Agricultura começaram no final de julho e o ministro se defendeu na Câmara dos Deputados e no Senado, mas não agüentou o anúncio da Polícia Federal de que irá começar uma investigação de todos os processos de licitação no Ministério. Alegando pressão de familiares (mulher e filhos), Wagner Rossi justificou a decisão de se afastar do cargo. Mesmo diante de todos os escândalos, o ex-ministro ainda ganhou elogios da presidenta, que garantiu que Rossi fez um bom trabalho, mas lamentou que “o ministro não tivesse contado com o princípio da presunção da inocência, diante de denúncias contra ele”.

É a quarta baixa em oito meses no governo de Dilma Rousseff. Para os analistas políticos, isso é péssimo para a gestão e só tende a piorar as relações do governo com a Câmara e o Senado Federal, já tão abalada pelos últimos episódios envolvendo ministros da base do governista. Arnaldo Jabor, em comentário no Jornal da Globo, afirmou que “a corrupção é uma forma de governo que se instalou no Brasil e que precisa acabar”. Não adianta a presidenta Dilma respeitar as regras por que não vai conseguir governar, o que existe como regras em acordos, projetos e planos foram herdados do governo passado, enfatizou Jabor e citou como exemplo a Índia, onde a população que saiu às ruas em passeata protestando contra as fraudes do governo não quer mais promessas, mas mudanças nas regras. A população não pode continuar assistindo a tudo sem manifestar a opinião. É preciso mudanças.

Parece é que vivemos numa cultura onde a fraude faz parte dos nossos costumes e está enraizada nas nossas tradições. Não ceder as pressões dos líderes de partidos para o governo representa uma ameaça de ingovernabilidade. Ao governo de Dilma Rousseff, já há quem anuncie que, se continuar do jeito que vai, Dilma poderá não chegar ao fim do mandato. São previsões que ameaçam quem pretende fazer um governo sério e que teve o voto da maioria da população.

Deixe seu comentário