Onde o governo não chega, as ONGs exercem papel importante nas comunidades pobres de todo o mundo. (Ilustração Divulgação)

A demissão do ministro dos Esportes Orlando Silva acusado de participar de um esquema de desvio de dinheiro público através de uma ONG que desenvolvia o programa Segundo Tempo gerou uma série de discussões sobre efetivamente o trabalho e a seriedade das ONGs que recebem dinheiro público. A presidente Dilma Roussef já determinou que fosse feita uma investigação em todos os contratos do ministério dos Esportes mantidos com ONGs e determinou a suspensão de novos convênios sob a alegação de que as ONGs são – como o próprio nome diz – Organizações Não-Governamentais, portanto, não devem depender do dinheiro público.

O problema causado por Orlando Silva vai além do que o cancelamento ou suspensão de convênios do governo federal com as ONGs, mas coloca em dúvida a idoneidade e seriedade do trabalho das ONGs em todo o país. “É preciso separar o joio do trigo” disse em entrevista Ana Toni, presidente do Conselho do Greenpeace Internacional no Brasil. A ONG uma das mais respeitadas do mundo está no Brasil desde 1992 e não recebe dinheiro de empresas privadas e muito menos de governos.

Claudio Weber Abramo, diretor executivo da ONG Transparência Brasil, disse que o Brasil tem mais de 400 mil ONGs prestando serviço à comunidade em todas as áreas e defende que seja instituído pelo governo um marco regulatório para fiscalizar a atuação e emprego do dinheiro público aplicado nas organizações.

De modo geral, as ONGs surgiram no período pós guerra em todo o mundo para suprir aas necessidades das populações atingidas pelos efeitos da guerra. No Brasil, as ONGs surgiram no mesmo período, mas passaram a ter uma ação direcionada a defesa dos Direitos Humanos e contra a Ditadura Militar. Só com o passar dos anos surgiram novas ações a partir da criação de organizações que originalmente tiveram como base as comunidades carentes da presença do governo na prestação de serviços básicos como educação, saúde, esporte e lazer.

Para os analistas que fazem avaliação das atividades do terceiro setor, a grande maioria das ONGs atua de forma séria e prestam relevantes serviços a população pela a ausência do próprio governo que é incompetente para atender as demandas necessárias a condição humana e transfere a responsabilidade para as ONGs.

Por outro lado, políticos corruptos que até então usavam empresas de fachadas e laranjas para desviar dinheiro público passaram a ver nas ONGs uma porta oficial e ao mesmo tempo fácil para desviar o repasse de recursos oriundos do governo através dos ministérios.

Não é possível que generalize o problema e as ONGs passem a ser vilãos nesse processo de caça às bruxas.

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