
Depois da denuncia feita pelo Extra, o arquivo foi retirado do local. Assessoria da Câmara Municipal não informou qual o novo local do Arquivo (Imagem Eduardo Irineu)
A preservação do patrimônio histórico e cultural de uma cidade ou país é uma obrigação dos gestores públicos e um compromisso para com as futuras gerações. Dessa forma poderemos ter uma sociedade com o seu passado preservado e o que é mais importante uma história pra contar. Do contrário perderíamos a nossa identidade e não teríamos o que mostrar para filhos e netos. A preservação do patrimônio público deve ser uma responsabilidade de todos: gestores públicos de qualquer esfera, órgãos e entidades competentes, além de uma obrigação da sociedade em exigir que o nosso patrimônio seja preservado.
Enquanto a Prefeitura de Caruaru através da Fundação de Cultura cria um fórum para implantação de um Comitê Gestor para cuidar da feira como patrimônio cultural e imaterial de Caruaru, a Câmara Municipal vai na contra mão e despreza o seu maior patrimônio que é o arquivo de documentos que registraram a história do legislativo municipal. São atos das primeiras sessões realizadas pela Câmara Municipal, documentos da maior relevância para o cenário político caruaruense e até atos de cassação de mandatos de vereadores durante a ditadura militar.
Todo esse acervo de fundamental importância histórica para o município está literalmente entregue as baratas. O fato gerou uma matéria com o mesmo título na edição passada do Extra e repercutiu de forma negativa entre os historiadores, artistas, jornalistas e a população em geral que reagiu indignada com comentários contra o descaso e a forma como o patrimônio publico é tratado pelos políticos que não conseguem perceber a importância e a necessidade da preservação dos bens históricos, patrimônio da sociedade.
É de se chamar a atenção para determinados gestores para a responsabilidade que tem ao assumir cargos públicos. É preciso focar a gestão em todos os aspectos, sem esquecer o acervo que alguns órgãos possuem e que são de inteira responsabilidade de quem está à frente da gestão.
No caso específico do acervo da Câmara Municipal que foi depositado em uma área que servia de garagem, a preservação e manutenção dos documentos ali existentes são de total responsabilidade do gestor. Qualquer dano, extravio, prejuízo a esse acervo pode ser considerado um crime contra patrimônio se assim for denunciado pelo Ministério Público.
É preciso se soltar das vaidades, de salas majestosas com gabinetes com ar condicionado e de uma demanda desnecessária de assessores. Não se pode esquecer o patrimônio que é abrigado na Casa Jornalista José Carlos Florêncio. Estamos nos aproximando do final do ano, certamente teremos devolução do que foi ‘’poupado’’ do duodécimo, tal atitude soa bem ao que parece ser um bom gestor, principalmente quando se trata de um político em ano pré-eleitoral. E o patrimônio do povo de Caruaru vai continuar entregue as baratas?
